Marketing Multinível X Pirâmides Financeiras

Você sabe como diferenciar um negócio de Marketing Multinível Legítimo de uma pirâmide financeira?

A alguns anos, era bem mais simples dar essa resposta, pois as pirâmides financeiras não tinham produtos ou serviços, não tinham CNPJ, sem sede fixa, nada de advogados ou diretores mostrando a cara, não pagavam impostos retidos na fonte, duravam menos de 1 ano, no esquema era impossível alguém que entrou depois ganhar mais que alguém no topo da pirâmide e assim por diante. O mais interessante que não sei se vocês sabem mais as pirâmides financeiras são muito mais antigas que o Marketing Multinível! Na década de 1920 um americano chamado Carlos Ponzi criou um esquema com venda de selos do correio americano que pagava até 100% em 3 meses, ele mesmo confessou que em 1908 tinha participado de algo parecido no Canadá, viveram uma época parecida com o que acontece agora, os órgãos públicos demoram se ajustar e enquadrar na lei por se tratar de um novo tipo de golpe. Vamos analisar um pouco a história de Carlos Ponzi:

  • Fez um negócio prometendo lucros de 50% em 45 dias;
  • Usou Selos internacionais como produto de fachada;
  • Pagava todos em dia com o dinheiro dos novos que entravam no esquema;
  • Foi investigado e no meio das reclamações devolveu o dinheiro para quem pediu de volta, o que fez entrar ainda mais gente;
  • Quando a primeira empresa caiu tentou abrir outra para pegar dinheiro das mesmas pessoas;

Olha que interessante no inicio do século passado as pessoas caiam nesses golpes e hoje 100 anos depois ainda continuam acreditando nas mesmas promessas, por preguiça, por simplesmente não saber fazer cálculos simples ou por ter má fé mesmo, entrar primeiro, envolver bastante gente e “tirar o seu” antes que seja tarde.

Somente na década de 1940 surgiu a primeira onda do Marketing Multinível. Todas as grandes empresas hoje criam algum benefício para quem indica clientes, ou pelo menos tentam, apesar de na prática poucos desfrutam desses benefícios. Vamos pegar eu e você para um exemplo: Quantas vezes você já viu um filme no cinema e indicou para alguns amigos e pessoas por sua indicação foram assistir o mesmo filme? Quantas vezes você comprou determinado produto ou utilizou algum serviço e indicou para conhecidos e esses adquiriram o mesmo? Fazemos isso o tempo todo afinal “amigos fazem o que amigos fazem”. Em cima disso foi criada a ideia do Marketing Multinível ( também conhecido como Marketing de Rede, Network Marketing, Marketing de Relacionamento, Empresa de vendas diretas, etc. ) para as pessoas serem remuneradas por esse efeito “viral” que criam no consumo das pessoas. Quanto maior o nível de relacionamento e credibilidade social da pessoa maior esse efeito. Em resumo a ideia é pegar parte do lucro da venda do produto e distribuir com as pessoas que ajudaram por seu marketing pessoal na venda do produto, isso em níveis. Por exemplo eu o Marcos Duda indiquei um shampoo anti-caspa para o João, João não só comprou como também indicou para a Maria, Maria por sua vez gostou tanto que indicou para a Ana, o Marcelo, o José e a Flávia, eles por suas vez para outras dezenas de pessoas. Cada indicação dessas é um nível, mas fui eu Marcos Duda que comecei essa cadeia de consumo do Shampoo, então o que faz uma empresa de Marketing Multinível? Vamos pegar por exemplo que o Shampoo custe R$20,00 e a empresa separe 30% do seu faturamento para pagar para a rede, teremos R$6,00 para distribuir. Existem milhares de planos de bonificações, futuramente vou escrever um artigo específico sobre isso. Mas nesse caso digamos que a empresa pague 10% em 3 níveis. Ficaria assim:

Marcos Duda Produto Valor Bonificação 10% em 3 níveis
1) João R$ 20,00 R$ 2,00
2) Maria R$ 20,00 R$ 2,00
3) Ana, Marcelo, José, Flávia R$ 80,00 R$ 8,00
TOTAL R$ 120,00 R$ 12,00

Nesse exemplo simplista podemos ver algumas coisas:

  • Através de mim foi vendido R$120,00 e recebi R$12,00 pelas indicações;
  • As pessoas compraram apenas 1 Shampoo, poderia ser mais;
  • Mesmo sem os pagamentos em rede as pessoas comprariam o Shampoo do mesmo jeito;
  • A Maria por ter 4 pessoas indicando provavelmente vai ganhar mais que eu já que a empresa paga em níveis e já não ganho das indicações do terceiro nível;
  • Para ganhar mais tenho que indicar mais pessoas, ajudar o João e a Maria a indicar mais pessoas ou simplesmente fazer essas pessoas consumirem mais produtos;
  • Eu ganhei dinheiro sem prejudicar a empresa ou as pessoas, pois a empresa iria muitas vezes gastar esses 30% em campanhas de marketing tradicionais que na maioria das vezes não trariam o mesmo resultado;
  • As pessoas podem consumir o produto porque o desejam e não indicar ele para ninguém, não iriam ganhar nada mas nesse caso o que elas querem é simplesmente utilizar o produto;
  • Eu posso ganhar mais comprando Shampoos direto da empresa por R$20,00 e Revendendo por R$25,00 para pessoas que não querem se cadastrar na empresa;

Neste simples exemplo tentei ilustrar como funciona uma empresa de Marketing Multinível Legítima, e como ela deve ser. Para isso acho importante enumerar algumas coisas:

Empresas de Marketing Multinível Legítimas:

  • Tem consumo alto de seus produtos fora rede, ou seja, existem mais pessoas fora da rede cadastrada utilizando seus produtos que dentro;
  • Se não existisse a rede esses produtos seriam comercializados da mesma maneira e pelo mesmo preço de maneira tradicional;
  • Como a empresa paga sobre venda de produtos, se não entrar mais ninguém ela continua faturando e pagando normalmente, afinal o dinheiro vem das vendas e não da entrada de pessoas;
  • Se a empresa fechar, ela não fica devendo nada para ninguém, afinal o pagamento veio das vendas concretizadas;
  • Empresas legítimas participam de órgãos de regulamentação como no caso do Brasil a ABEVD;

Já vi diversos vídeos e tutorias explicando que marketing multinível não funciona porque se você indica 9 pessoas lá pelo sétimo nível acabou a população da terra, que não existem tantas pessoas. E vou mostrar como isso não é verdade por alguns motivos:

  • Nascem e morrem pessoas todos os dias;
  • Nem todos indicam pessoas;
  • Boas empresas tem produtos que geram recompra;
  • Os contratos geralmente tem prazo de validade, se a pessoa fica muito tempo inativa tem que cadastrar novamente;
  • Já indicamos coisas sem ganhar nada! Porque não indicar ganhando?;

Agora vamos analisar o funcionamento de pirâmides financeiras, que hoje tentam se passar por empresas de Marketing Multinível para pegar carona na sua credibilidade, afinal o Marketing Multinível é matéria em Harvard, Oxford e outras grandes instituições, recomendado por grandes especialistas e homens de negócios como Warren Buffet, Bill Gates, Donald Trump, Robert Kiyosaki, entre outros. Além de milhares de livros de autores famosos e milhões de artigos em veículos de comunicação sérios sobre o assunto. Vamos analisar os principais argumentos das Pirâmides Financeiras modernas:

1) Ganhe dinheiro sem indicar ninguém e vender nada.

Bem se não precisa indicar ninguém e nem vender nada, não é multinível e muito menos vendas diretas! E outra coisa se não precisa porque insistem tanto para você entrar?

2) Recupere seu dinheiro de volta sem fazer nada?

Bem se você não vai trazer valor algum para a empresa, como ela vai pagar seu dinheiro novamente e mais lucro durante o contrato? Simples tirando dinheiro do seu próprio dinheiro nos primeiros meses e das pessoas que estão entrando nos outros meses. Pense se ficar 30 dias sem entrar ninguém? Quebra, não tem jeito, a matemática é exata

3) Somos uma empresa que está em vários, países, tem vários escritórios, no mercado faz muitos anos.

Outra coisa para você prestar atenção, use o Google Trends e pesquise o nome da empresa, ai você vai conseguir ver os países que ela tem negócios pelas buscas do google, e principalmente a quanto tempo falam sobre ela! Escritório o Google Maps te mostra onde fica e muitas vezes o que funciona no prédio. Pesquise o CNPJ e veja a atividade da empresa, veja quem são os sócios do CNPJ se realmente são as pessoas que se apresentam publicamente e assim por diante.

Vamos a outras maneiras de ver a qualidade de um negócio. Geralmente pirâmides tem um produto que você jamais o usaria ou pede para fazer coisas como anúncios que jamais faria se estivesse fora do esquema, ou pior faz você comprar dezenas de produtos que geram dezenas de mensalidades mesmo sem você usar o produto. Te paga uma fortuna por um serviço como um anúncio, que qualquer um sabe que os anunciantes nunca iriam pagar aquele valor exorbitante pelo mesmo, ou ainda por um valor absurdo em um anuncio da própria empresa que aponta para um site que não é para vender o produto e sim recrutar mais anunciantes. As pessoas acham suas justificativas, mas sabem que sem fazer parte do esquema e receber por isso jamais comprariam esse tipo de serviço, não é porque tem várias pessoas ganhando dinheiro em um negócio, ou porque você recebe dele toda semana que ele é legal. Pessoas me mostram fulano que ganhou R$100.000,00 em um dia para provar que o negócio funciona, vi políticos desviaram 50 vezes isso no mesmo dia, traficantes que ganham isso por hora e nem por isso é um negócio legítimo, apesar que políticos corruptos e traficantes geralmente não envolvem seus amigos e pessoas que amam nesses esquemas, já os cada vez mais famosos “pirâmideiros” envolvem sua família, seus pais, melhores amigos, colegas de trabalho e todos que respeitam ele, com o argumento eu “tirando o meu” está ótimo eles que “tirem o deles” fazendo o mesmo. E quando um esquema desses quebra, como vi vários nos últimos 10 anos nessa indústria, eles pulam para outro e fazem a mesma coisa e muitas vezes com as mesmas pessoas.

A pouco tempo atrás uma empresa chamada Zeek Rewards se enquadrou nesses exemplos acima, vendia bids do seu site, que ninguém usava aqui no Brasil, e pagava para postar anúncios da empresa. A SEC a comissão de valor mobiliários do EUA, viu que a bomba iria explodir e antes da catástrofe maior ordenou o fechamento da empresa. Várias empresas no Brasil utilizam o mesmo sistema hoje só trocando o produto ou a desculpa para o povo colocar o dinheiro. Dai me perguntam Marcos porque aqui no Brasil elas não fecham? Vou explicar de uma maneira bem simples a diferença:

No Eua a SEC tem força de julgamento, ou seja, ela mesma pode fazer sua investigação e tomar suas providências, o que aconteceu com a Zeek.

No Brasil a CVM equivalente a SEC, não tem poder para tanto, ela investiga, manda o laudo para o Ministério Público o mesmo comunica a Polícia Federal ou Cívil conforme o tipo de crime, espera a investigação para finalmente o MP denunciar a referida empresa. Após isso um juiz analisa tudo e decide se aceita a denúncia. Denúncia aceita, o MP que pede as providência cabíveis ao Magistrado, que caso acate um pedido de busca e apreensão por exemplo, ele assina e encaminha para o delegado colocar na pauta e executar as diligências. Na volta disso e concluindo o inquérito e as diligências necessárias que o Juiz analisa os pedidos de prisão, encerramento de natureza jurídica e etc.

Pequena diferença não? Mas calma nem tudo está perdido, até alguns anos atrás crimes praticados pela internet viravam em nada, hoje existe delegacias especializadas em crimes cibernéticos, então a própria polícia tem um setor monitorando isso e quando chega ao MP, as providencias são muito mais rápidas por existirem centenas de casos parecidos na jurisprudência que é o DNA da nossa legislação. Quero dizer que depois das primeiras condenações e providencias a justiça será muito mais ágil por já saber os passos que deve tomar, portanto posso afirmar algumas que estão ai até duraram mais de 1 ano, em breve a justiça se molda e novas pirâmides em questão de semanas irão cair.

Espero ter esclarecido um pouco as diferenças para você conseguir diferenciar um Marketing Multinível Legítimo de uma Pirâmide Financeira, somos um país livre se quer fazer algo ilegal a vontade, mas por favor não chame isso de Marketing Multinível ou Venda Direta que está queimando o trabalho de mais de 4 milhões de Brasileiros que fazem um negócio sério, honesto e regulamentado por nossos órgãos públicos e associações.